segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Entrevistas de presidenciáveis no JN – Dilma

Estava pensando como ia começar no blog, abordando qual assunto, quando me deparo com o anúncio de que essa semana o Jornal Nacional entrevistará alguns dos candidatos a presidente do Brasil – lê-se aqueles que têm alguma possível relevância em números de votos – Dilma, Marina e Serra, nessa ordem, de acordo com sorteio acompanhado por representantes dos partidos.



Então vamos a cobertura dos debates com o olhar de quem está de casa, no sofá. O que nós podemos apreender nesses 12 minutos de entrevista com cada candidato?


Hoje, segunda, foi a hora e vez de Dilma. A candidata do PT traz em sua campanha o apoio de Lula, o que se converte em pontos positivos mas também em alguns negativos. Quem comparado a Lula tem um pingo sequer de carisma?



Talvez, para rebater mesmo essa imagem de protótipo feminino sem graça do Lulinha do Brasil, ela era só sorrisos durante a sabatina do casal William e Fátima, mesmo precisando responder a perguntas que deveriam incomodar, como o apoio de Sarney, Collo e Calheiros à sua campanha. Eles inclusive questionaram a candidata sobre essa personalidade menos amigável que a de seu “tutor”.



Gaguejando um pouco, às vezes até fazendo rodeios demais (novidade nenhuma em políticos), ela seguiu direitinho a cartilha que seus assessores de campanha passaram, não tomando nada como pessoal e tentando passar sempre as comparações deste governo com o de FHC, salientando que irá continuar o trabalho de agora.



A mim deixou uma sensação. Essa história de marketing político, campanhas com personal-marketeiro, com especialistas em mídias sociais, televisão, rádio, impresso, publicidade, ... , engessam o caboclo que está lá. E o pior, o que era para transparecer mais naturalidade, gerando uma idéia de segurança, de tanto treinamento, tem grande chance de produzir o discurso mais artificial. Pois, sinceramente, a Dilma nessa entrevista estava mais próxima de lembrar o robótico Serra do que o articulado Lula, de tão sem sal que foi.



Quanto à condução da entrevista, as perguntas até que valeram, mas a dificuldade dos jornalistas em tirar alguma coisa de nova de pessoas bem assessoradas é cada vez maior. O William não escondeu o incômodo de ver a Dilma recitar seu texto e caras treinados e interrompeu por várias vezes para tentar pega-la de susto, da mesma forma a Fátima. Mas nada, essa batalha quem venceu foram os marketeiros, ou assessores de imprensa. O chamado ante-jornalismo, pelos que estão do lado da redação, fez 1 a 0 nessa série. O que será que podemos esperar para Marina amanhã e Serra quarta?



Assitirei aos outros embates e tentarei filtar o que conseguir deles. Primeiro para ajudar a embasar meu voto em outubro, e depois, para trazer pra cá a discussão do processo eleitoral que se desenrola.

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